Blog do Marcelo Sá

Presente em quase todo o Brasil, capacete Elmo já tratou quase três mil cearenses na rede pública em seis meses

Quando um equipamento similar a um escafandro começou a ser desenvolvido em abril de 2020 para tratar  complicações respiratórias de Covid-19, pesquisadores cearenses, pressionados pela pandemia, jamais imaginariam a diferença que o equipamento poderia fazer em 2021, com indicadores ainda preocupantes. Diante de um cenário de incertezas, o dispositivo não invasivo conhecido nacionalmente como capacete Elmo continua hoje a materializar a esperança de profissionais de saúde no enfrentamento à doença. Presente em 23 estados, o aparelho chega a seis meses de uso em hospitais da rede pública do Governo do Ceará e já foi utilizado em 2.944 pacientes que têm no dispositivo um rápido alívio respiratório rumo à recuperação do deserto de ar.

A profissional autônoma Stephane de Oliveira é a prova do quão perigosa pode ser a Covid-19. Com 21 anos e sem comorbidades, ela teve pneumonia e não melhorou com medicação, tampouco com terapia por alto fluxo de oxigênio. Para evitar a intubação, ela foi uma das 333 pacientes que utilizaram o Elmo no Hospital São José de Doenças Infecciosas, unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

“O Elmo é bem mais confortável que o cateter. Conseguia dormir e comer tranquilamente com ele. Usei o capacete por três dias. No primeiro, usei por algumas horas; no segundo, passei quase o dia todo com ele e, no terceiro dia, eu já tive uma melhora significativa, saindo do oxigênio e entrando em observação. Com certeza, com o Elmo, o avanço para a cura foi bem mais rápido”, conta.

O dispositivo foi inspirado na experiência de médicos italianos que usaram máscaras de mergulho no tratamento de pacientes com coronavírus nos anos 1990 e no uso de “helmet”, capacetes hiperbáricos, utilizados em doenças de descompressão na Europa e, mais recentemente, nos Estados Unidos. No entanto, como inovação em saúde cearense, pesquisadores locais desenvolveram o ciclo completo: da ideia ao produto. Especialistas de uma força-tarefa multidisciplinar avaliaram artefatos existentes e estudos científicos já realizados, elaboraram o conceito, a construção e testagem de protótipos, tudo isso em tempo recorde: três meses.