AL realiza solenidade em homenagem ao Dia da Consciência Negra

Para celebrar o Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, a Assembleia Legislativa do Ceará realizou uma sessão solene com a presença de representantes dos movimentos negros do Estado.

O evento atendeu ao requerimento do deputado Moisés Braz (PT), que explicou ser inegável a existência de uma dívida da sociedade brasileira, que ainda apresenta graves problemas com casos de desigualdade e preconceito social contra os afrodescendentes. Entre as manifestações desse preconceito, o parlamentar citou salários desiguais e a violência que vitima mais a população negra no Brasil. “Reconhecemos que existem avanços e conquistas de direitos, mas ainda é muito pouco. É preciso mais respeito”, destacou.

Durante o evento, foi apresentado o Hino à Negritude, oficializado em 2014 pela presidente Dilma Rousseff, por meio da Lei 12.981, que prevê a sua execução em cerimônias públicas voltadas para as temáticas ligadas à população negra.

O professor José Hilário Ferreira Sobrinho, um dos homenageados no evento, enfatizou que a sociedade pensa a partir de uma visão eurocêntrica, e a extinção da escravidão deveria ter promovido igualdade, mas os negros não foram integrados à sociedade. O professor citou como algumas das consequências o preconceito social e religioso e a violência especialmente contra a juventude negra. Ele destacou a chacina em Messejana, quando foram mortos 11 homens, a maioria deles negros, e apresentou dados do Mapa da Violência, que aponta que, em 2010, o Ceará registrou homicídios de 275 jovens brancos e de 1.613 jovens negros.

O professor destacou também que parte da população cearense nega a existência de negros no Estado. “Existem negros no Ceará sim! E continuaremos lutando”, enfatizou. José Hilário pediu ainda o apoio dos deputados para que o negro tenha voz não só no dia 20 de novembro, mas que sejam chamados para discutir suas questões na Casa.

A coordenadora especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial do Governo do Estado, Zelma Madeira, destacou que os representantes do movimento negro simbolizam a resistência e que é preciso fazer políticas públicas ouvindo esses representantes.

O coordenador de Articulação Política dos Movimentos Sociais de Gabinete do Governador, Acrísio Sena, apontou as dificuldades que os negros enfrentam no mercado de trabalho e afirmou que considera fundamental defender a igualdade, pois o Brasil tem uma dívida social por ter mantido escravos em seu território por cerca de 300 anos.

Também receberam placas em homenagem ao Dia da Consciência Negra Maria José de Jesus Simão (in memoriam) e Antônia Lopes de Lima (Dona Toinha).
JM/AP

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