Tratamento com pele de tilápia recebe Prêmio Abril & Dasa e reconhecimento internacional no Canadá

O projeto que utiliza a pele da tilápia para tratamento de queimaduras, desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da Universidade Federal do Ceará, tem recebido reconhecimentos nacionais e internacionais. Intitulado “Tratamento de queimaduras e feridas com curativo biológico derivado de pele de tilápia”, o projeto conquistou o Prêmio Abril & Dasa de Inovação Médica, na categoria Inovação em Tratamento. Além disso, o método foipremiado internacionalmente em trabalho experimental durante evento no Canadá.
Considerado por muitos o “nobel da medicina brasileira”, o prêmio Abril & Dasa de Inovação Médica é uma iniciativa dos grupos Abril e Dasa, com a curadoria da Revista Saúde. O objetivo é reconhecer projetos e profissionais que fazem a diferença nas áreas científica, clínica e assistencial, para descobrir ideias e realizações com potencial inovador, que sejam capazes de mudar a vida e a saúde das pessoas. Além da Inovação em Tratamento, a premiação contempla outras quatro categorias: Medicina Social, Medicina Diagnóstica, Genética e Prevenção.
Durante a competição, o projeto Pele da Tilápia passou por três etapas da seleção: adequação do projeto ao regulamento; júri para escolha dos finalistas, três para cada uma das cinco categorias; e votação popular.

Na etapa final, o projeto da UFC concorreu com duas iniciativas, desenvolvidas pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC/FMUSP) e pelo Hospital das Clínicas de Porto Alegre (HCPA). O vencedor foi anunciado no dia 8 de novembro, em São Paulo.

Resultado de parceria entre o NPDM, o Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ) e o Centro de Tratamento de Queimados do Instituto Dr. José Frota (CTQ/IJF), o método consiste em utilizar a pele de tilápia como um curativo biológico, auxiliando na cicatrização de pacientes com queimaduras.

A atadura feita com o material também ajuda a diminuir a dor, a evitar a perda de líquidos dos tecidos, a prevenir contaminações e a reduzir o número de troca de curativos. O tratamento, que já ocorre de forma experimental no Ceará e em outros estados brasileiros, está em fase de avaliação para ser utilizado no Sistema Único de Saúde (SUS).

“O uso da pele da tilápia está revolucionando o tratamento das queimaduras, que há mais de 60 anos vêm sendo tratadas com sulfadiazina de prata”, destaca o Prof. Odorico de Moraes, diretor do NPDM. Ele adianta que os subprodutos do material serão utilizados ainda em 40 outras especialidades médicas.

Na ocasião, Tamires Souza apresentou o trabalho intitulado “Tilapia skin (Oreochromis niloticus) dressing promotes improvements in the healing process of experimental burns” [na tradução: “Curativo de pele de tilápia (Oreochromis niloticus) promove melhorias no processo de cicatrização de queimaduras experimentais”], que rendeu o primeiro prêmio internacional ao tratamento com pele da tilápia.

No estudo, a pele de tilápia passou por um processo de liofilização, que consiste em desidratar e congelar o material sob vácuo e, logo após, sublimar o gelo formado, e foi utilizada para tratar queimaduras de segundo grau em ratos, comprovando a ação anti-inflamatória superior a dos tratamentos tradicionais.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional da UFC – fone: (85) 3366 7331

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