Governo realiza operação preventiva de contenção da mancha de óleo na foz dos rios Jaguaribe e Curu

Na tarde desta terça-feira (29/10), houve reunião do Grupo de Trabalho (GT) de combate à mancha de óleo no Ceará. O secretário do Meio Ambiente do Ceará, Artur Bruno, informou que, no encontro com o governador realizado ontem (28), Sema, Semace, Ibama e Marinha constituíram a Coordenadoria de Operações do Ceará. “O Governo do Ceará decidiu construir barreiras de contenção para a proteção da foz dos rios Jaguaribe e Curu, posto que o monitoramento informa que são as áreas mais sensíveis que encontram-se sob risco atualmente pela ação do vento e das correntes marinhas”, explicou.

A Semace, até quinta-feira, deve finalizar a instalação das barreiras de contenção na foz do Jaguaribe, com rede de superfície e pelo menos mais quatro metros de profundidade. A Cipp está fazendo o mesmo nos 300 metros, de uma margem à outra, na foz do rio Curu. Ceará, Piauí e Maranhão estão bem menos atingidos que os demais estados nordestinos, mas “existe um sofrimento das comunidades tradicionais que vivem da pesca, turismo e da sociedade usuária”, lembrou o secretário. O Instituto Terra Mar, por exemplo, reivindicou a prorrogação de períodos do seguro de defeso da pesca.

O comandante Madson Santana, da Capitania dos Portos, falou sobre o trabalho de monitoramento dos 573 km de litoral, que englobam 20 municípios, seis equipes, a partir de 4h30 até o por do sol, por terra, de acordo com a maré. Segundo ele, “a mancha é difícil de identificar quando está longe da costa, pois fica submersa. Temos o apoio das Colônias de Pescadores, que são polos de informação”. A mancha possui um óleo tão denso que algumas vezes é necessário o uso de facões para quebrá-la, daí a ideia das bigbags para recolher o material. 110 bigbags de 1m³ foram doadas pelo Sindiverde e de 10 pela construtora C Rolim na última sexta. A Capitania está recebendo e distribuindo este material nas prefeituras e colônias de pescadores. Houve também doação de 500 tambores metálicos de 200 litros pela Transnordestina para coleta de óleo e resíduos.

A Marinha está usando também um navio patrulha e realizando mergulhos para confirmar a presença da mancha e verificar como ela se move. O trabalho de remoção da mancha inclusive é feito inclusive à noite. “Não encontramos manchas em manguezais. Pedimos à população que evitem reproduzir boatos, pois cada denúncia é verificada in loco e isso demanda tempo e recursos”, solicitou. A Capitania dos Portos pode ser acionada pelo fone 3133.5100.

Estas instituições estão integradas com as prefeituras para resolver duas questões: limpar as praias e ajudar as ONGs para atendimento a animais oleados. Uma das preocupações do GT é a organização estrutural para receber voluntários e dar a eles o Equipamento de Proteção Individual (EPI), com as orientações adequadas. Há constantes gestões da Coordenação Operacional do Estado sobre o comando nacional para conseguir equipamentos e EPIs, que foram cedidos pela Petrobras e Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace). Aracati, Icapuí e Fortim receberam primeiro pela urgência. Parte dos EPIs estão sendo distribuídos pelas colônias de pescadores através da Marinha.

Helicópteros do Ciopaer continuam com sobrevoo diários pela costa e o Instituto de Ciência do Mar (Labomar) também disponibilizou navio para as atividades. A Sema faz a fiscalização nas em Unidades de Conservação estaduais. Funceme usa imagens do satélite Sentinel1 para visualizar as manchas em alto mar. A Universidade Estadual do Ceará (Uece) está realizando estudos das amostra do petróleo para pesquisas. Não houve novas ocorrências com animais oleados, que estão sendo recebidos pelas ONGs Aquasis e Verde Vida.

O Núcleo de Tecnologia e Qualidade Industrial do Ceará (Nutec) e Semace estão analisando condições de balneabilidade, além de solo e alimentos. O teste de balneabilidade e de toxicidade está sendo realizado semanalmente pelos dois órgãos. As regionais da Secretaria de Saúde informou que nenhuma unidade registrou casos de intoxicação. Há preocupação com as comunidades pesqueiras.

Presentes à reunião, representantes da Casa Civil, Sema, Semace, Marinha, Ibama, Batalhão de Polícia do Meio Ambiente (BPMA), CIPP, CEDEC, Detran, Funceme, ICMBIO, Labomar, Nutec, Uece, Setfor, Setur, Instituto Terramar, MPP, Ministério da Ciência e Tecnologia, Centro de Tecnologia da Informação, Grupo Expedia, Vigilância Sanitária, Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), Conselho Pastoral dos Pescadores, Cagece, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Assembleia Legislativa, Greenpeace e ONGs Aquasis e Verde Vida.

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