Brasil tem dia de protestos contra medidas do governo federal

As ruas despertaram contra Jair Bolsonaro. Os cortes no Ministério da Educação somados à retórica belicosa do Governo contra as universidades, consideradas antros “esquerdistas”, levaram milhares de pessoas a marchar pelas capitais e médias cidades espalhadas por 26 Estados. Foi o primeiro protesto nacional contra o presidente de extrema direita que está há quatro meses e meio no poder. A jornada produziu, mesmo sem números consolidados de participação, imagens do descontentamento precoce com o Planalto num país que se acostumou desde 2013 a analisar manifestações como um termômetro político. Receberam de Bolsonaro, que está em viagem a Dallas, nos EUA, uma resposta que questionava a legitimidade do movimento e inflamava a polarização. “A maioria ali é militante. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada. São uns idiotas úteis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais no Brasil”, disse o presidente.

A frase provocadora ecoaria nos cartazes que estudantes e professores levaram às ruas pelo país ao longo do dia. “H20, seu bocó”, exibia um estudante em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Os cartazes, foram, de novo, um símbolo do dia, martelando a educação como um valor a ser defendido por todos, um totem ao qual é difícil se opor — assim como as palavras de ordem contra a corrupção foram na campanha do impeachment de Dilma Rousseff. As mensagens mais criativas disputaram atenção e compartilhamentos com outro símbolo da capilarização dos manifestações deste 15 de maio: em vez de apenas imagens das capitais, fez sucesso a procissão de guarda-chuvas do protesto na chuvosa Viçosa, um polo universitário no interior de Minas Gerais.

Não faltaram também imagens da multidão da avenida Paulista, local emblemático da força popular desde 2013 — embora com participação menor do que no impeachment. “É um absurdo o que o Bolsonaro diz, uma ofensa a nós que viemos às ruas. Ele quer acabar com o país e não tem respeito nenhum”, dizia a bibliotecária Vanessa Martins, que participava do protesto na capital paulista. Martins estudou na Universidade Federal de São Carlos e disse que estava na rua para apoiar estudantes que, assim como ela, só se formaram graças à universidade pública.

Estudantes, professores, centrais sindicais, movimentos populares e outros apoiadores estiveram na Paulista, onde entoaram gritos de guerra não só em defesa de mais recursos da Educação, mas também contra a reforma da Previdência. Relembravam escândalos do entorno do presidente Jair Bolsonaro — como o Caso Fabrício Queiroz e o escândalo das candidaturas laranjas do PSL, partido do presidente — e pediam a demissão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que foi obrigado a passar a tarde respondendo a parlamentares na Câmara dos Deputados, num sintoma da desorganização política da base do Governo.

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