Fagner encanta público em grande show

(Matéria Diário do Nordeste/Caderno3)

Em dois anos desde que foi reaberto, o Cineteatro São Luiz provavelmente nunca testemunhou uma noite tão épica. Com a casa lotada, Fagner comemorou seus 67 anos – completados exatamente ontem – fazendo o que sabe de melhor: encantando o público com suas composições atemporais.

Em cerca de duas horas de apresentação, o cearense desfiou sucessos acompanhados em coro pelo público. “Agradecer é pouco pra mim. Agora entendi por que esses ingressos se esgotaram tão rápido. Só tem família aqui”, brincou o artista sobre a reverência da plateia.

Anunciado ainda em setembro, o show teve os ingressos esgotados apenas quatro horas após o início das vendas. A enorme procura fez com que a produção abrisse uma sessão extra, marcada para hoje (14) e igualmente esgotada.

Marcada para as 20h – quando ainda havia uma grande fila do lado de fora do São Luiz, mas que andou bem rápido – a apresentação de ontem só foi começar uma hora depois. Durante todo esse tempo, e mesmo depois de apagadas as luzes, ainda havia gente chegando (o que deixa clara a dificuldade do público de Fortaleza em lidar com horários em eventos culturais).

Entre os convidados ilustres estavam o ex-governador Cid Gomes e o irmão Ciro Gomes, além de parceiros e colaboradores de Fagner em composições, como o arquiteto Fausto Nilo.

Intimista

Antes do cantor subir ao palco, foi exibido um vídeo em sua homenagem, com depoimentos de artistas, família e amigos. Os colegas de profissão Amado Batista, Marcelo Falcão (d’O Rappa) e Ronnie Von, os ex-jogadores Cafu e Rivelino, o treinador Zico, os apresentadores Geraldo Luís, Sabrina Sato e Xuxa Meneghel, o humorista Tom Cavalcante e até o Louro José, do programa Mais Você (Rede Globo), deram os parabéns ao artista.

Pouco depois das 21h, Fagner finalmente apareceu no palco, sem muito alarde e sob muitas palmas do público, entoando uma canção de um filme antigo, ao qual assistia na infância, enquanto o longa era projetado na tela. Depois desse gracejo, abriu o repertório com “Sina”, enquanto uma sequência de fotos antigas aparecia no telão, mostrando várias fases da carreira.

A proposta foi começar o espetáculo num clima mais intimista, com canções menos famosas e acompanhadas apenas de instrumental de cordas – um quinteto de três violinos e dois violoncelos, regido por maestro, e dois violões, um deles empunhado pelo próprio Fagner.

Nesse pedaço da apresentação seguiram-se “Mucuripe” (sempre linda), “Orós 2”, “Dois querer” e “Traduzir-se” (poema de Ferreira Gullar musicado pelo aniversariante).

Intenso

A canção seguinte, “Vento forte”, inaugurou a segunda parte do show, quando o telão de vídeo subiu, fazendo aparecer o resto da banda. Às cordas juntaram-se bateria, teclado, baixo, guitarra e metais.

A partir daí a apresentação ganhou peso e fôlego, com mudança de postura do próprio Fagner: se antes falava em voz baixa entre as canções (ele apresentava as parcerias de cada letra, mas era difícil de entender) e mantinha um ar meio distante, não demorou muito a tornar a voz já potente ainda mais intensa, assim como a interação com o público – tudo isso ajudado pelo instrumental mais robusto.

A banda, aliás, merece elogios: afiada, entregou com competência o rosário de hits do cantor. “Vento forte”, “Eternas ondas”, “Fanatismo”, “Canteiros”, “Revelação” (emendada com “Espumas ao vento”), “Deslizes” e “Borbulhas de amor” emocionaram a plateia, que cantou junto diversas vezes.

Fagner entregou ainda algumas surpresas, como uma ótima versão de “A morte do vaqueiro”, de Luiz Gonzaga, com uma batida meio reggae.

Em alguns momentos, o coro era lindo de se ouvir, e a gratidão parecia mútua: visivelmente feliz no palco, Fagner agradecia ao público, enquanto o mesmo retribuía com carinho a oportunidade de ver um artista daquele porte num show bem produzido.

Apesar das arestas iniciais, a mudança do clima intimista para um mais potente revelou-se boa estratégia, ao conferir à apresentação um ritmo crescente. Aqui vale destacar também o trabalho de iluminação, que preencheu o São Luiz de cores e acompanhava o ritmo das canções.

O encerramento foi com “Oração de São Francisco”, e um Raimundo Fagner ovacionado – reação que deve se repetir no show de hoje à noite.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *